A mentira é o estandarte maior do desespero pela mudança. Não existe fogo algum que nunca se apague, não existe luz nenhuma que permaneça. A escuridão é permanente, constante, não encobre, está em toda a parte, mera ignorância, vazio imperdoável que todos procuram suprir.
Loucos e boémios, poetas e pensadores tropeçam em verdades eloquentes inacessíveis aos demais, projectam mundos invisíveis de plena satisfação, amor, compreensão, ânimo e paz – felicidade. “Mas porque somos infelizes?”, perguntam todos… Erro pueril, o motivo é simples: “ignorância” dizem os sábios… Quanto mais se compreende a sensação mais distante dele se está, infelicidade das infelicidades! Como poderíamos então atingir esse paraíso prometido, se olhá-lo significa perde-lo?
Para o ingénuo, mero pessimismo, miragens de loucura de um poema apaixonado esquecido numa qualquer tasca medíocre. Quem nunca teve não pode sentir a falta e assim permanece o vazio inexplicável. Felicidade pouco mais é do que uma ideia entendida de alguma maneira como um daqueles poucos momentos de cócegas, estupidez, incompreensão, falta de sentido e gargalhadas. Como se poderia experimentar? Estulta ignorância… Não se tente compreender a felicidade, não é trazendo a água ao buraco que se enche o poço, faça-se o poço em bom sítio, a água há-de surgir depois.
Mas o que seria um bom sítio se a procura nos afasta do propósito como se não devêssemos olhar o bom mas antes compreender o que nos perturba a ingenuidade que nos envolve quando somos verdadeiramente plenos? Compreender a dor, talvez a afaste mas sempre sofremos por olhá-la e ignorá-la é senti-la também apenas deixando-a dirigir as nossas vidas sem que disso tenhamos noção. Deixar de pensar dor e sofrimento não leva o pensador a nenhuma espécie de alegria, apenas uma dormência constante de dor e prazer que, não incapacitando, corrói e confunde ao ponto de tentarmos vezes e vezes sem conta procurar uma paz que não existe.
O espírito perturbado não é feliz, a mente perturbada não é feliz, o corpo perturbado não é feliz mas aquele que compreende a perturbação, aquele que tira o espinho cravado, sente o prazer de se afastar da dor. A felicidade é a ausência de perturbação, de impedimento, de dor, de inacção, de tristeza. A redundância aparente desta ideia não existe, é apenas uma ilusão de hábitos ingénuos. A criança é feliz, só quando alguma coisa perturba essa felicidade, chora. A procura não deve ser directa ao objectivo, mas antes, direccionada aos impedimentos da intenção. Esqueça-se a felicidade, sejamos ingénuos aí, nunca por força fomos felizes! Mas se por força, procurarmos compreender o que nos perturba, se afastarmos de nós a possibilidade de perturbação, a paz surge e se a isto juntarmos uma ingenuidade saudável…
Não interessa a perda, a dor ou a tristeza – mas compreender o motivo porque surgem, os sentimentos alertam-nos, dão-nos a informação que precisamos para corrigir o que está mal, o intelecto dá-nos a capacidade de saber se isso é possível, a inteligência garante que isso acontece. Adaptamo-nos e mal podemos sentir isso acontecer, mas quando nos conformamos à dor sem entendimento não nos afastamos dela, deixamo-la ali, estacionada em pesar de memórias que nos infectam e atrofiam. Compreenda-se o erro e deixe-se a mente fluir, deixe-se o corpo agir, tudo o resto surgirá mais claro então.
marcvs
cultiva e cultua-te!
2012/02/27
2012/02/19
outras piadas lisérgicas
Compreende,
É no momento em que a miragem ilusória se torna realidade que te libertas.
Então,
Todos os teus medos se tornam reais, todos os teus desejos se tornam reais, toda a tua expectativa surge para te concretizar.
Aprende,
O medo é medo de dor, os desejos são desejos de prazer, toda a expectativa é expectativa de mudança.
Permite-te mudar.
É no momento em que a miragem ilusória se torna realidade que te libertas.
Então,
Todos os teus medos se tornam reais, todos os teus desejos se tornam reais, toda a tua expectativa surge para te concretizar.
Aprende,
O medo é medo de dor, os desejos são desejos de prazer, toda a expectativa é expectativa de mudança.
Permite-te mudar.
2012/01/12
proposta de compreensão ("algodão doce") - parte I
Este texto não está completo, a continuação fica para mais tarde*...
Lembro-me de algodão doce caído no chão e de um sentimento estranho. Naquele dia, por coisa nenhuma, aprendi a ver aquela ideia – perda que não é perda mas pouco mais do que mutação das coisas, de nós mesmos de certa maneira.
Quando caímos, levantamo-nos mas a frustração que nos fica a reverberar na memória tolhe-nos os passos seguintes – voltarei a cair mais à frente? Quando? Agora? E uma conclusão definitiva antes de cair – não, não vou voltar a cair. A queda é uma possibilidade desagradável mas previsível, seria fácil pensarmos nisto em termos éticos: não se pense em cair – e estaria tudo resolvido. No entanto, não é por se deixar de pensar no pouco provável que ele deixa de existir. A vida é ela própria pouco provável, não devemos desprezar estes eventos desagradáveis apenas por serem pouco frequentes ou por serem imprevisíveis. É aqui que se pode desenvolver, não uma ética condicionante, mas antes, uma nova arte – a arte de ultrapassar a transformação desagradável.
Não se pense em situações concretas, não se sofra com esta reflexão! Procurar compreender como este tipo de situações se dão é o primeiro passo para se ganhar o entendimento necessário para as ultrapassar. Mas devemos deixar claro, a cada passo deste entendimento, não se confundam os efeitos com as causas, o sofrimento não é a origem do desagrado nem o objecto, a origem não são ideias nem pessoas, apenas acções num passado que não pode ser transformado mas que fez transformar alguma coisa que nos afecta directa ou indirectamente.
Lembro-me de algodão doce caído no chão e de um sentimento estranho. Naquele dia, por coisa nenhuma, aprendi a ver aquela ideia – perda que não é perda mas pouco mais do que mutação das coisas, de nós mesmos de certa maneira.
Quando caímos, levantamo-nos mas a frustração que nos fica a reverberar na memória tolhe-nos os passos seguintes – voltarei a cair mais à frente? Quando? Agora? E uma conclusão definitiva antes de cair – não, não vou voltar a cair. A queda é uma possibilidade desagradável mas previsível, seria fácil pensarmos nisto em termos éticos: não se pense em cair – e estaria tudo resolvido. No entanto, não é por se deixar de pensar no pouco provável que ele deixa de existir. A vida é ela própria pouco provável, não devemos desprezar estes eventos desagradáveis apenas por serem pouco frequentes ou por serem imprevisíveis. É aqui que se pode desenvolver, não uma ética condicionante, mas antes, uma nova arte – a arte de ultrapassar a transformação desagradável.
Não se pense em situações concretas, não se sofra com esta reflexão! Procurar compreender como este tipo de situações se dão é o primeiro passo para se ganhar o entendimento necessário para as ultrapassar. Mas devemos deixar claro, a cada passo deste entendimento, não se confundam os efeitos com as causas, o sofrimento não é a origem do desagrado nem o objecto, a origem não são ideias nem pessoas, apenas acções num passado que não pode ser transformado mas que fez transformar alguma coisa que nos afecta directa ou indirectamente.
2011/12/25
dói-me a paciência
Dói-me a paciência de tanto aturar tudo isto. Mas continuo cá – eu nunca consegui morrer! Por mais incrível que isto me surge, os meus piores momentos facilitam-me os meus melhores estados de consciência, a gargalhada da desgraça… Não sou tão maluco quanto desejaria ser mas não me importo, eu posso suportar isso mas a minha calma fica-se por aí. Sem abusos, porque não há paciência para aturar tantas opiniões e julgamentos! Eu não sei quem sou mas porque haveria alguém dizer-me então quem eu devo ser? O que é que eu mudaria se eu fosse como ouço dizer que deveria ser? Quem sou eu e porque me olho tanto? Porque raio passo tanto tempo a opinar sobre mim mesmo e a julgar cada passo que dou?
2011/11/27
um conto-paradoxo
Se não pensares, não entendes a ideia;
Se pensares podes sentir o conteúdo da ideia;
Se pensares mais um bocadinho deixas de compreender a ideia!
Se pensares podes sentir o conteúdo da ideia;
Se pensares mais um bocadinho deixas de compreender a ideia!
Eu peguei num pedaço de nada, entornei na mesa todo o seu vazio e olhei demoradamente sem pensar em coisa alguma. Escolhi então as mais pequenas partes daquele vazio, separei-as de tudo o resto que estava sobre a mesa e procurei, entre elas, a mais vistosa partícula de coisa nenhuma. Ali estava eu, a olhar a mais maravilhosa de todas as coisas que não existem, quando dei por mim a notar – não tem significado, não tem forma, não tem nada. Mas se aquela pequena parte de nada, que me fascinava tanto, não tinha nada em si, então, não poderia ser nada, ou sendo:
NADA ESTÁ VAZIO;
NADA PERMANECE VAZIO;
NADA É VAZIO.
2011/08/19
não seria um erro aceitar a ideia de funcionamento universal?
Questiono-me até que ponto podemos agir por vontade. Não digo que não exista essa possibilidade mas a crença que temos nas regras que supomos existirem no ambiente não nos permite isso. Então porquê limitarmo-nos a crenças e a limites regulados? Diriam os mais atentos que não podemos ser egoístas ao ponto de desprezar os mais fracos, devemos proteger a todos porque é útil a todos que haja variedade mas para haver variedade é necessário criarem-se limites a todos. Os que abandonam todos os limites e agem por vontade estão à margem, juntos com aqueles que não agem – esta é a crença. A visão que a crença sugere é falsa – o que age, está livre dos limites mas aquele que se restringe à norma não o vê além do que a lei lhe permite. O homem livre está dentro dos limites universais assim como está fora deles. É daqui que o podemos observar, de qualquer lado, livre ou não, é a nossa crença que define a nossa visão. E se a crença é um paradoxo, também a visão o será, como sendo norma, um limite.
2011/08/17
todos somos feios!
Hoje ouvi dizer que todos somos feios. Não consigo descrever a alegria da multidão. Em mim, nunca tão pouco peso, senti pela primeira vez o alívio de não ter de ser lindo nem ter de me ver nunca perfeito. Senti paz. Se todos somos feios, sem que isso seja uma obrigação mas antes um facto, todos somos livres de nos expormos; se todos nos expomos, então todos somos verdadeiramente iguais, sendo diferentes, nunca julgando porque a norma é então que todos são feios e mesmo que este ou aquele aspecto deste ou daquele seja bonito, todos são feios e a verdade é que alguém sempre vai achar alguma coisa bonita em cada um de nós. Todos somos diferentes, isto é facto assente, não é possível descrever um único tipo de beleza enquanto padrão universal, como diz o ditado – “a cada cabeça, a sua sentença” – mesmo que isso pareça significar o abandono dos cuidados físicos, não o é no entanto, antes pelo contrário a pessoa livre precisa de encontrar o seu equilíbrio e esse equilíbrio é o seu bem-estar. Um corpo satisfeito é um corpo feliz, um corpo feliz é um corpo saudável, um corpo saudável é um corpo equilibrado. O corpo quando encontra o seu equilíbrio não pode ser mais belo, realiza-se mas degrada-se, é na procura desse momento que a pessoa livre vai centrar as suas forças porque é equilibrando o corpo que se atinge o equilíbrio da alma. Todos somos feios, não existe equilíbrio em nós, é apenas uma busca. Todos somos feios, a procura do nosso bem-estar obriga-nos a sermos feios, não existe perfeição. Todos somos feios, se todos encontram alguém que lhe sabe achar beleza, então a beleza não existe ou é apenas uma ilusão individual que esconde outras verdades. Todos somos feios, mas, não existindo beleza, não seria possível que a multidão achasse naquelas palavras pouco mais do que uma graçola bem construída?
Subscrever:
Mensagens (Atom)